-O garoto do restaurante-

Autora: Mari Scarazzatti
Sinopse: Uma garota ambiciosa sai de seu país de origem para se aventurar nos Estados Unidos longe de sua família, trabalhando em um restaurante na estrada entre a cidade de Lancaster e Los Angeles, Califórnia. Anne uma garota de 22 anos jamais poderia imaginar que sua vida tranquila e sossegada poderia ser tão intensa e que aquele garoto de olhos castanhos, sorriso lindo e cabelos loiros misterioso poderia ser tão interessante.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Los Angeles, Califórnia. Dia 23 de Fevereiro de 2014, aqui começa a minha jornada, quem sou eu? Meu nome é Anne, tenho 22 anos e estou morando temporariamente nos Estados Unidos, mas nasci e cresci em Portugal. Estou em um bairro chamado Mild-Wilshire, que se encontra nos arredores de Hollywood, Beverly Hills e West Hollywood, não preciso dizer mais nada, não? Me sinto abençoada por isso! Este com certeza é o sonho de muita gente, um bairro que vez ou outra encontramos pessoas famosas, isso explica o porquê de tanto requinte, é um bairro perfeito! O lado ruim é que aqui as lojas e restaurantes são absurdamente caros, quando quero almoçar, por exemplo, tenho que optar por comer em casa ou andar um pouco até algum bairro menos chique que nem este, mas já está bom, não tenho do que reclamar.
Trabalho numa cidade próxima a Los Angeles chamada Lancaster, bem... Não trabalho exatamente em Lancaster e sim no caminho entre esta cidade e L.A em um restaurantezinho de estrada, nada ambicioso por enquanto, mas era um restaurante bom e tinha um ótimo movimento além de música ao vivo, qualquer coisa no momento seria melhor do que a vida que tinha na Europa, sinto saudades de casa, mas aqui posso ser independente, dona do meu próprio nariz, ganho o suficiente para me manter e isso já está de bom tamanho.
Este seria o meu primeiro dia no trabalho, estava nervosa, é claro! Meu inglês era praticamente fluente, eu apenas espero que o nervosismo não me atrapalhe em nada. Peguei meu carro e parti para o trabalho. Não se passaram nem 15 minutos e eu já estava no restaurante, uma fachada simples, mas convidativa. Já eram quase 16h30min, havia chegado cedo ao trabalho, meu horário era as 18h00min, daria tempo de receber algumas instruções e me socializar com os novos colega.
Ao chegar fui até o balcão onde puder ver uma moça alta e loira dos cabelos cacheados, havia falado com ela pelo telefone e ela me disse que estariam lá para me dar as devidas instruções, seu nome era Daisy.
-Olá, você deve ser Anne, a novata do "Silver Spring", não é mesmo? - Perguntou ela dando um grande sorriso e saindo do balcão vindo até mim - Eu sou a Daisy, nos falamos por telefone, acho que se lembra, entre aqui! Fique a vontade, querida! - Disse ela me cumprimentando e mal me deixando respirar ou falar algo, como era falante a moça! Então Daisy me conduziu até a parte de dentro do balcão.
-Olha, aquela sala alí é onde você deve colocar as suas coisas quando chegar aqui para trabalhar - Disse apontando para uma salinha bem ao fundo do restaurante depois dos banheiros, era um lugar simpático e aconchegante, eu tinha uma visão bastante errada de restaurantes do meio da estrada, mas este me parecia incrível, bem organizado e limpo - Temos também um armário e algumas mesas, caso queira comer alguma coisa nas suas horas de intervalo é lá que deve ir - Disse ela enquanto mexia em algumas papeladas e pegava algumas coisas - Este é seu kit de iniciante, aqui tem o seu uniforme, sua chave para o armário, uma touca para prender o cabelo e uma bolsinha para guardar remédios ou itens pessoais, mas a touca é o mais importante, ein mocinha? Não queremos que nossos clientes encontrem fios de cabelo em seus lanches, seria terrível! - Disse ela em tom de brincadeira, para alguém que a primeira vista parecia antipática e metida, Daisy se mostrou incrivelmente amigável e atenciosa.
Depois de receber algumas outras instruções de como recepcionar os clientes e aprender a preparar alguns pratos e bebidas, fui ao banheiro me trocar. Até que aquele uniforme sem graça me caíra bem! Apesar de não ter o corpo mais belo e escultural do mundo havia ficado ótimo, meus cabelos eram bem longos, minha sorte era de que aqui eles não se importavam com isso desde que a toca estivesse no lugar certo, demorei a fazer um coque decente em meu cabelo e no final coloquei a touca, em seguida um lacinho vermelho para combinar com o uniforme deles, eles eram caprichosos até nas combinações! - Ah... Dona Anne, quem diria que isso aconteceria, não é mesmo? - Disse à mim mesma olhando para o espelho, só eu mesma sabia o quanto havia lutado para estar alí, poderia não ser o emprego dos sonhos para alguém como eu, mas já estava mais do que perfeito naquele momento, poder sair da casa dos meus pais na Europa e ser finalmente independente em outro país era absolutamente incrível, é claro que sentia saudades de casa e de meu irmão mais novo, isso era inevitável! Mas com certeza estava e ainda iria valer muito a pena, quem sabe um dia poderia trazê-los para morar comigo - Bom, é hora de trabalhar! - Guardei o restante de minhas coisas no armarinho e fui em direção ao balcão, mas antes que chegasse lá, Daisy apareceu em minha frente novamente.
- Anne, esqueci-me de seu crachá, como pude ser tão esquecida? - Disse ela entre gargalhadas - Aqui está! Com a foto que me mandou - Em seguida colocou o crachá em meu pescoço, o qual estava escrito o nome do estabelecimento e uma foto minha com meu nome, é... Isso realmente não era mais um sonho.
-Ah, obrigada, Daisy! Ficou ótimo! - Sorri pra ela.
-Que bom que gostou, mas agora chega de papo e vamos ao trabalho! Hoje é sexta-feira e o movimento é um pouco mais intenso a noite, nada como uma sexta-feira pra você começar com estilo, querida! - Daisy estava bem animada, nunca vi uma atendente tão animada assim, também... Não era pra pouco, o lugar era incrível, o salário era ótimo e as pessoas que passavam por aqui pareciam ser bem receptivas também.
Realmente trabalhar alí não era das piores e nem mais difíceis tarefas, Daisy disse que a madrugada era mais movimentada do que o final de tarde e começo da noite, sendo assim tratei de me preparar, os clientes eram simpáticos, em algumas raras exceções um pouco chatos, mas eu sempre fui uma pessoa bastante paciente então foi fichinha lidar com gente assim, eu sabia que não seria flores o tempo todo, mas como gostava de cozinhar era uma delícia preparar os pratos e as bebidas, isso compensava qualquer cara mal humorada, eu realmente levava jeito e Daisy ficou satisfeita, ainda bem!
Alguns outros funcionários foram chegando, três para ser mais exata, uma delas era uma mulher bem mais velha e um pouco maior que eu chamada Carmen, era mexicana e trabalhava lá desde que o Silver Spring foi inaugurado há 10 anos, tinha uma pele mais escura que a minha e um cabelo preto chanel com cachos, era uma mulher grande e digamos.. Bem fofa, uma doçura de pessoa! O segundo era John, um adolescente de uns 15 ou 16 anos, pele bem clara e lábios bem rosados, uma gracinha! Tinha cabelos negros e uma mecha vermelha, devia estar na sua fase "rebelde", como dizem meus pais, tinha piercings nos lábios e era americano, o terceiro era Steve, assim como eu era europeu, nasceu e cresceu na Itália, tinha um sotaque bem peculiar que era seu charme! Nada mal para um moço de uns 30 e poucos anos, a mesma idade de Carmen, branco, mas não tanto quanto John, cabelos escuros e uma barba bem feita, era mais reservado que os outros e se dava bem com John, era como seu irmão mais velho, John morava com seus tios, mas não se dava bem com eles, os únicos amigos verdadeiros que tinha eram Steve e sua namorada Vanessa, americana também, tinha 16 anos e já havia tirado carta, todas as manhãs passava para pegar John no final do expediente, comer alguma coisa e levá-lo pra sua casa, os dois eram umas gracinhas!
O dia foi passando, as horas voando e nem percebi, estava satisfeita do quão bem havia me adaptado ali, enfim já era quase meia noite e o movimento começava a aumentar, mas não tanto.
-Nossa, eu estou cansada, acho que vou fazer a minha pausa agora, tudo bem, Anne? Qualquer coisa é só me chamar ou chamar a Carmen, ok? - Disse Daisy com uma cara realmente cansada.
-É claro! Você me parece bem cansada mesmo, vá comer algo que eu dou conta! - Disse confiante.
-Uau! Está se dando bem mesmo ein, garota? Gostei de ver! - Exclamou Carmen surpresa.
-Ela é ótima, Dona Carmen, eu e Anne já somos praticamente melhores amigas! - Falou Daisy dando uns tapinhas em minhas costas, ela realmente era uma fofa - Bom, eu vou lá, Anne, qualquer coisa, já sabe! - E se retirou.
-Claro! - Eu disse sorrindo, o dia hoje havia sido incrível! Estava atendendo um casal de idosos, servi o café deles e dei uma olhada nas mesas para ver se haviam clientes novos e um deles me chamou a atenção, não me parecia estranho, porém não consegui identificar quem era, estava de óculos escuros, usava uma jaqueta de couro com alguns metais, um gorro preto, calças jeans e um coturno, realmente não teria como identificá-lo, devia ser alguém famoso que não queria ser reconhecido, logo saí do balcão e fui atendê-lo.
-Olá, O senhor deseja algo? - Disse quando chegava perto dele.
-Olá, eu vou querer um pedaço de cheese cake de frutas vermelhas e um chá gelado, por favor, apenas isso. - Disse ele sério, parecia não querer muito papo, anotei seu pedido e fui preparar seu chá, fiquei encarando este moço o tempo todo e o mesmo não parava de olhar pra fora da janela, aparentava estar distante e um pouco abatido, seria demais perguntar se estava bem? Achei melhor não, talvez eu o assustasse, preparei seu pedido, cortei seu pedaço do cheese cake e me aprontei para levar até sua mesa, mas antes que eu chegasse até ele, o mesmo decidiu tirar os óculos e eu não pude acreditar no que meus olhos estavam vendo, no momento quase que seu chá e seu bolo foram parar no chão, comecei a ficar tremula e ele com certeza ele percebeu - Oh! Que desastrada sou eu! - Quase derrubei todo o chá nele.
-Haha, não se preocupe, moça - Disse dando um leve sorriso - Obrigado. - Olhou pra mim sorrindo e abaixou a cabeça.
-E-eu é que agradeço! - Estava nervosa, nessa hora até meu inglês estava falhando, que tonta eu era! - Se o senhor desejar mais alguma coisa, é só me chamar, meu nome é Anne.
-É claro, Anne - Olhou novamente pra mim e sorriu, mas pude notar que no fundo aquele sorriso era vazio, pobre homem, minha vontade era de sentar com ele e confortá-lo, porém meu único objetivo aqui era servi-lo, não podia me sentar ali, ele já devia estar cheio de garotas enlouquecidas em cima dele o tempo todo e eu não queria ser mais uma delas, seja lá qual fossem seus problemas, a ultima coisa que ele desejaria era alguém em cima dele.
